terça-feira, 8 de setembro de 2009

Calmaria na Tribuna

Fonte: Jornal Correio de Uberlândia

As medidas adotadas para conter a propagação da nova gripe em Uberlândia, a partir das recomendações do Comitê Municipal de Enfrentamento à Influenza A, provocaram mudanças de comportamento em praticamente todos os setores da sociedade. Mas, especificamente na Câmara Municipal, trouxe uma situação inusitada. Provavelmente não se tem notícia de que os vereadores tenham ficado um mês inteiro proibidos de organizar manifestações públicas. E mais: de discutir projetos polêmicos durante as sessões. Para evitar aglomerações de populares, cada um teve que ceder nas suas iniciativas e tentações. Levantar novas bandeiras e mobilizar simpatizantes com uma causa popular só depois que o período de pico da epidemia passar.
DEBATE ADIADO
Por causa da nova gripe, a pauta de setembro não terá projetos que estavam prontos para serem apreciados. É o caso da regulamentação do moto frete na cidade. O texto já recebeu até redação final na Procuradoria Jurídica do Município. No entanto, só deverá ser apreciado em outubro. Além de polêmica, a matéria certamente vai mobilizar uma categoria inteira. Até a realização de um debate público sobre a gripe A na Câmara foi suspensa. No máximo, os vereadores vão chamar na próxima semana um representante do comitê para falar sobre os números da doença no Município e a adoção de novas medidas. Mas nada que gere aglomeração nas galerias.
SEM ALARDE
Outra medida que deve passar sem alarde na Câmara Municipal é a votação de projeto que destina recursos às comunidades terapêuticas. Estava prevista a presença de representantes das entidades, mas em função do
alarde ninguém será chamado. Os vereadores vão votar o projeto e depois comunicar o fato.
DOIS PESOS...
Diante da mobilização feita em torno do H1N1, o vereador Carlito Cordeiro (PSDB) levantou um questionamento na sessão de ontem. Se o vírus, que já matou duas pessoas em Uberlândia e outros dez óbitos aguardam confirmação de resultado laboratorial, motivou a criação de um comitê de enfrentamento, com cancelamento de eventos, aulas e adoção de outras medidas, porque não há mobilização semelhante quando o assunto são as mortes violentas na cidade? O vereador citou o monitoramento do CORREIO, que
contabiliza desde o início do ano 101 homicídios em Uberlândia, para reforçar a adoção de novas ações.
... DUAS MEDIDAS
Carlito Cordeiro lançou a proposta de se criar o Comitê Municipal de Enfrentamento à Criminalidade. “A gripe cancela eventos, fecha escolas, enquanto a criminalidade tem uma gravidade maior”, disse. “Se não forem tomadas providências, esses números vão aumentar até o fim do ano, infelizmente”, disse. O vereador
propôs, como medidas a serem adotadas pelo novo comitê, o fechamento de bares mais cedo e a restrição de horário de funcionamento em áreas de maior risco de criminalidade.
TOQUE DE RECOLHER
O vereador Carlito Cordeiro é autor de uma proposição que chegou a ser discutida nos bastidores da legislatura passada, mas não ganhou os holofotes do plenário. Pela proposta, os bares, restaurantes e similares teriam horário de funcionamento definido de acordo com a região. Quanto maior a incidência de ocorrências policiais no bairro, mais cedo o recinto teria que encerrar as atividades. Os bares, por exemplo, seriam classifi cados como verde, amarelo ou vermelho, de acordo com estatísticas apresentadas pela Polícia Militar.

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